sábado, agosto 08, 2009

Aprofunda-se a divisão da Bolívia

Aprofunda-se a divisão da Bolívia

O decreto que consagra as autonomias indígenas reaviva a ruptura entre os Andes e o oeste do país - O governo enaltece a quebra da ordem social

MABEL AZCUI - La Paz – El País - 08/08/2009

Tradução de Antonio de Freitas Jr.

O presidente boliviano Evo Morales voltou a agitar a caixa de maribondos boliviana com um decreto que abre a porta às autonomias indígenas. Para alguns é uma jogada eleitoral para assegurar sua reeleição, para outros só um disparate e para os demais um ato de justiça histórica. Para o governo Evo Morales, o processo autonômico está destinado a "romper o monopólio do poder político das elites, especialmente das terras baixas [o oeste rico em petróleo e gás: Pando, Beni, Santa Cruz e Tarija] e complementar a luta pelos territórios indígenas, que representa a ruptura do monopólio do poder econômico", nas palavras do Ministro de Autonomia, Carlos Romero, incentivador do decreto.

"É a expulsão das estruturas do colonialismo interno, a ruptura do poder econômico, do poder político e a ruptura do poder cultural", diz Romero. "Declaramos a autonomia indígena para romper definitivamente as cadeias de submissão aos poderes políticos, culturais e coloniais". Morales se adiantou seis meses à data prevista para promulgar o decreto de autonomia, que se esperava para o próximo 6 de dezembro, data das eleições gerais nas quais o presidente espera obter seu segundo mandato.

A autonomia indígena e camponesa é o ponto culminante da luta pela inclusão que os povos do norte e do oriente da Bolívia começaram em 1992, quando ascenderam desde as planícies aos picos andinos numa dramática caminhada. Considerou-se o despertar das maiorias indígenas que haviam permanecido até então, com esporádicas rebeliões, resignadas a viver distantes dos benefícios econômicos do Estado. Seis de cada 10 bolivianos são pobres e os camponeses jamais tiveram um salário médio anual superior aos 50 euros (ao redor de R$ 150,00) na última década do século XX.

A deterioração na vida rural do altiplano é produto, também, do minifúndio, o imperativo de herdar a propriedade de cultivo pela crença de que pertencer a um território reafirma a identidade e consolida a existência dos povos atados à ‘Pachamama’, a Mãe Terra.

A nova Constituição, aprovada no começo do ano, reconhece quatro níveis autonômicos: regional, provincial, municipal e indígena. Determina o artigo 290: a autonomia indígena "é a expressão do direito ao autogoverno como exercício da autodeterminação das nações e dos povos indígenas originários e das comunidades camponesas, cuja população compartilha território, cultura, línguas, organizações e instituições jurídicas, políticas, sociais e econômicas próprias".

As comunidades indígenas terão umas vinte competências exclusivas, referentes fundamentalmente às "formas próprias de desenvolvimento econômico, social, cultural de acordo com sua identidade e visão", ademais da atenção à infraestrutura vial, serviços de educação e saúde (água, luz e esgoto).

Para financiar as autonomias, o Estado as apoiará com recursos econômicos, independentemente dos ingressos que elas gerem por atividades de mineração, por exemplo. Ademais, Carlos Dabdoub, Secretário de Autonomia do governo de Santa Cruz, assinalou que os povos indígenas estarão isentos de pagamento de impostos por suas terras.

Os indígenas poderão formar macrocomunidades que acabem por modificar a atual divisão territorial do país, especialmente no sul. Bolívia está dividida, atualmente, em nove províncias e 327 municípios. Destes últimos, uns 180 podem ser declarados municípios autônomos indígenas, segundo o autor da Lei de Participação Popular, Carlos Hugo Molina. "A autonomia indígena possui mais competências e atribuições que a autonomia provincial; possui a gestão do território, a propriedade de recursos naturais, a aplicação de normas consuetudinárias e tem um germe de formação de novos estados a partir de formas de autodeterminação", explica o jurista.

Os povos originários são 36, com populações que vão dos três milhões de ‘quechuas’ e ‘aymarás’, a outras 34, agrupadas em 10 famílias lingüísticas, nas quais prevalece a tupi-guaraní. Algumas destas etnias têm menos de cem membros (o caso dos ‘araona’) enquanto outras podem superar os 60.000 (os ‘chiquitanos’). A propriedade da terra implica em deter e usufruir dos recursos naturais renováveis, porém, também, o direito de veto à exploração dos recursos naturais não renováveis – petróleo e mineração.

Nos últimos meses, membros de comunidades indígenas ocuparam pelos menos umas vinte explorações mineiras concedidas pelo Estado. Confiscaram as máquinas e outros bens, além de expulsar os trabalhadores em protesto pela presença de investidores estrangeiros ou locais, mas de origem ‘criollo’. Também decidiram assumir a exploração mineira diante da passividade das autoridades. A mesma situação se deu em explorações privadas agrícolas e industriais assentadas em terrenos reclamados pelos indígenas. Os proprietários foram expulsos e confiscados seus bens, recursos, animais e maquinas.

Rumo a um novo Estado

Evo Morales inicia o processo para converter Bolívia num país com autonomias indígenas

Editorial de El País – Madrid - 08/08/2009

Tradução de Antonio de Freitas Jr.

O presidente boliviano Evo Morales aprovou no domingo passado um decreto para celebrar um referendo, no próximo 6 de dezembro, juntamente com as eleições presidenciais e parlamentares, para aprovar a conversão de uns 180 municípios em autonomias indígenas. Ao mesmo tempo, apresentou oficialmente o anteprojeto de marco regulatório das autonomias e da descentralização. Assim, deu um passo adiante para por em marcha um dos desafios mais delicados da nova Constituição aprovada no referendo de janeiro deste ano com mais de 60% de votos favoráveis, ou seja, o de transformar o país num Estado plurinacional com um amplo regime de autonomias e descentralização.

A iniciativa de Morales foi rapidamente contestada pela oposição por uma questão de procedimento, já que a Constituição estabelece no capítulo sétimo que trata da Autonomia Indígena Originária Camponesa que o marco regulatório em questão deve ser discutido pela Assembléia Legislativa que será eleito em dezembro. Morales, ao convocar uma consulta sobre a conversão de municípios em autonomias indígenas para esse mesmo dia, estaria assim violando as regras do jogo, adiantando-se ao que deveria ser discutido no Parlamento ao forçar a aprovação de suas iniciativas através de consultas plebiscitárias.

Desde que, em 1992, os povos indígenas do norte e do oeste da Bolívia iniciaram uma dramática marcha para reclamar seu direito de serem levados em conta, as coisas mudaram e suas reivindicações já chegaram à Constituição. Autonomia é a palavra chave para essas comunidades. O verdadeiramente complexo é articular num marco legal viável a autonomia que reclamam as províncias rebeldes (Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija), e que tem a ver, sobretudo, com uma descentralização na tomada de decisões econômicas, com as autonomias que defendem os indígenas, em temas como a recuperação do controle perdido sobre suas possessões territoriais, além da defesa de questões de identidade (língua, democracia comunitária) e gestão dos recursos.

O complexo desafio (talvez impossível) de articular e fazer viáveis as autonomias de distintos níveis territoriais (departamentais, regionais, municipais e indígenas) deve ser o resultado de um acordo parlamentar. Cada vez mais difícil de ser conseguido nesse clima de enorme divisão em que se enfrentam andinos e orientais.

quarta-feira, agosto 05, 2009

Homenagem às 13 rosas no 70º aniversário de seu fuzilamento


Homenagem às 13 rosas no 70º aniversário de seu fuzilamento

Uma placa recorda às jovens comunistas e socialistas no muro do cemitério de La Almudena, em Madri, onde morreram

ELPAÍS.com - Madrid - 05/08/2009

Tradução de Antonio de Freitas Jr.

O PSOE e o PCE renderam hoje homenagem, separadamente, no cemitério de La Almudena de Madri, às 13 rosas, no 70º aniversário de fuzilamento destas jovens militantes da organização Juventudes Socialistas Unificadas - JSU e do Partido Comunista de Espanha - PCE, que foram condenadas à morte por um conselho de guerra. Ambos partidos defenderam a necessidade de recuperar as "vozes dormidas" das pessoas que deram sua vida pela paz, a liberdade e a democracia.

Após a vitória do grupo franquista na Guerra Civil espanhola, as 13 jovens foram encerradas na prisão de Las Ventas junto a outros militantes das mesmas formações políticas. Depois do assassinato de um comandante da Guarda Civil e sua filha, em 29 de julho de 1939, na cidade de ‘Talavera de la Reina’, as autoridades tiraram da prisão a 56 jovens militantes do PCE e das JSU, 43 deles varões e as 13 Rosas. Em 3 de agosto, um tribunal militar lhes condenou à morte por "adesão a rebelião", por tratar de recompor o PCE e as JSU e por atentar contra a "ordem social e jurídica da nova Espanha". À homenagem participam a Secretária de Organização do PSOE, Leire Pajín, e o Secretário-Geral dos socialistas madrilenhos, Tomás Gómez. Ambos descerraram uma placa comemorativa que recorda seus nomes no muro do cemitério onde caíram fuziladas. Outros 43 jovens foram assassinados nesse mesmo dia.

A homenagem do PCE

O momento mais emocionante foi quando Angeles García Madrid, uma das companheiras de cela de uma das rosas, relatou as últimas horas das jovens, nas quais, todo mundo, salvo elas, sabiam que morreriam. Assim, recordou a última conversa de Virtudes e Júlia, duas das jovens assassinadas, na qual a primeira perguntou à segunda se pensava que iriam matá-las e esta lhe respondeu: "Não vão nos matar, sua tonta". "Tinham a morte na cara", comentou García, que em seguida contou que ouviram como uma daquelas jovens, ao subir na camioneta que lhes conduziu à morte, entoou o hino da Jovem Guarda, que foi seguido pelas demais até a chegada ao muro do cemitério em que foram executadas.

Com este ato se cumpre, segundo Pajín, com "a última vontade" de Júlia, que antes de morrer escreveu a sua família: "Que meu nome não se apague da historia". "É um direito de todos e de todas recuperar e recordar nossa historia", disse Pajín. A número três do PSOE mostrou seu orgulho pela aprovação da Lei de Memória Histórica ao declarar seu orgulho por "poder recuperar essa memória e, portanto, de poder recuperar a dignidade de homens e mulheres. Foi uma Lei que fez florescer toda essa historia, que seguiremos rememorando porque um povo não pode seguir em frente sem olhar para seu passado ". Por sua vez, Gómez qualificou esta homenagem como um ato "de identidade da esquerda, um ato de reconhecimento e reivindicação do papel da mulher na historia espanhola, mas também um ato de reivindicação dos valores da política, a política pela qual tanta gente morreu, a política como esse conjunto de ideais por uma sociedade melhor, para um mundo melhor".

Posteriormente se celebrou a homenagem organizada pelo PCE, que começou com um minuto de silêncio e com os punhos e as bandeiras republicanas no alto, e que teve lugar junto à parede onde foram assassinadas as jovens, adornada com rosas vermelhas, amarelas e violetas (as cores da bandeira republica espanhola). O Secretario Federal de Memória Histórica do PCE, Javier Ruiz, leu um manifesto no qual assegurou que seu partido continuará trabalhando para que "se anulem todas as sentenças dos tribunais ilegais" e que "o sistema judicial investigue os crimes do franquismo".

Em outro comunicado, também por motivo do aniversário do fuzilamento, várias associações de recuperação da Memória Histórica denunciam os "assassinatos" do franquismo "sob a tentativa de mascarar e legitimar estes processos-farsa" e recordam às 190.000 pessoas que faleceram durante a Guerra Civil e a ditadura. Na nota, reclamam medidas em favor das vítimas, entre elas um impulso à abertura de processos penais contra estes "crimes contra a humanidade" e "apuração de responsabilidades penais, civis e administrativas".

segunda-feira, agosto 03, 2009

Um coelho gigante e invisível será a 'nova estrela' de Spielberg


Um coelho gigante e invisível será a 'nova estrela' de Spielberg

O cineasta filmará uma versão de 'Harvey', filme protagonizado por James Stewart em 1950

ELPAÍS.com - Madrid - 03/08/2009

Tradução de Antonio de Freitas Jr.

A amizade entre o afável Elwood P. Dowd e Harvey, um enorme coelho invisível, e os problemas que esta relação causam ao redor de Dowd é a trama do novo filme que prepara o cineasta estadunidense Steven Spielberg, com roteiro do escritor Jonathan Tropper.

A estória original de 'Harvey' foi escrita em 1944 para a Broadway pela autora teatral Mary Chase (que ganhou um Pulitzer por ela). Em 1950 o ator James Stewart protagonizou a primeira versão hollywoodiana, pela qual foi indicado ao Oscar.

A seleção de atores para o filme já começou, segundo a revista Variety. Será uma co-produção entre a 20th Century Fox e os estúdios de Spielberg: Dream Works.

Um porta-voz dos estúdios Fox assegurou que o filme estreará no final de 2010 e que o processo de produção começará a começos desse ano.

segunda-feira, julho 20, 2009

Obama homenageia aos três heróis da 'Apollo 11'

Obama homenageia aos três heróis da 'Apollo 11'

Estados Unidos se propõe agora um novo desafio, chegar a Marte

YOLANDA MONGE - Washington – El País - 21/07/2009

Tradução de Antonio de Freitas Jr.

Nem saudades, nem queixa de que qualquer tempo passado foi melhor. Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua, dedicou tão-somente 11 segundos de uma longa palestra para se referir à missão da Apollo 11 que lhe conduziu à gloria. Temos que olhar para frente, para o futuro. E o futuro está em Marte.

Ontem, 40 anos depois daquele "pequeno passo para o homem, mas um salto gigantesco para a humanidade", Armstrong e seus dois companheiros de missão, Buzz Aldrin e Michael Collins, foram recebidos na Casa Branca pelo Presidente Barack Obama. E se o Presidente John F. Kennedy possibilitou o sonho de viajar à Lua, os três astronautas pediram a Obama que ele seja o homem que possibilite o seguinte desafio: pisar em Marte.

Após receber-lhes como "três heróis americanos", Obama disse que era uma honra saudar os homens que inspiraram a várias gerações para pesquisar e sair ao espaço. Sorridentes e agradecidos, os três permaneceram o breve tempo que durou a homenagem ao lado do presidente. Não pronunciaram nenhuma palavra. E se alguém ficou com saudades foi Obama. O presidente recordou suas origens havaianas e o dia em que sobre os ombros de seu avô olhava para o céu com a esperança de ver cair algum pedaço da Apollo 11 sobre o Pacífico. "Naquele dia meu avô me disse que vocês eram o exemplo de que os americanos podem fazer o que se propõe". "Obrigado, senhor presidente", foram as únicas palavras dos três heróis americanos ao primeiro presidente negro da historia dos EUA.

Antes, numa coletiva de imprensa, Aldrin pediu apaixonadamente que a NASA, que no próximo ano vai cancelar seu programa de ônibus espaciais para desenhar um novo veículo que leve o homem à Lua, fixe como objetivo chegar a Marte em 2031. Collins, que tripulou a nave enquanto seus colegas pisavam na Lua, declarou que o satélite da Terra havia perdido interesse. "Às vezes acredito que voei ao lugar errado", brincou. "Desde criança meu lugar favorito sempre foi Marte e ainda hoje é", prosseguiu.

A de ontem foi uma das raras ocasiões na qual os três foram vistos juntos. À noite, no Museu Nacional do Ar e do Espaço ocorreu uma festa especial com mais de 2.000 convidados em homenagem à tripulação da Apollo 11, dos demais astronautas das missões Apollo e dos tripulantes dos ônibus espaciais atuais.


"Haverá vida em outros planetas quando formos visitá-los”

ENTREVISTA com Buzz Aldrin

Astronauta da primeira tripulação que pisou na Lua

40 ANOS DA CHEGADA À LUA

"Haverá vida em outros planetas quando formos visitá-los”

TONI GARCÍA – El País - 19/07/2009

Tradução de Antonio de Freitas Jr.

Em 20 de julho de 1969 aterrissava no Mar da Tranquilidade o módulo lunar da missão Apolo 11. Em seu interior, os astronautas Edwin Eugene ‘Buzz’ Aldrin e Neil Armstrong (comandante da expedição) se dispunham a por o pé na Lua. Armstrong disse aquilo de "um pequeno passo para o homem e um grande passo para a humanidade" e Aldrin falou de "desolação magnífica" em referência à paisagem que lhes rodeava. Este último foi o segundo homem a pisar a superfície lunar e se destacou, ademais, por sua decisão de comungar naquele local -"se fosse agora, eu não faria; naquele momento me pareceu um gesto importante", admite-; e mais tarde, já de volta, por seus problemas com a depressão e o álcool.

Aldrin tem agora 79 anos e segue conservando o caráter que lhe fez famoso e que há dois anos deixou bem patente quando Bart Sibrel, um dos mais célebres defensores da teoria de que a alunissagem foi na verdade uma montagem lhe recriminou na saída de uma conferência, o ex-astronauta respondeu nocauteando-lhe sem sequer olhá-lo nos olhos. "Não sabia que ia me denunciar", contesta o ex-astronauta com um meio sorriso quando na entrevista, celebrada no passado dia 6 de julho em Roma, lhe perguntam por este fato.

Buzz Aldrin nasceu em 20 de Janeiro de 1930 em Glen Ridge, um pequeno povo de New Jersey, e seu pai, que era amigo de Charles Lindbergh e Orville Wright, meteu-lhe na cabeça o gosto pela aviação. Aldrin finalizou seus estudos em West Point como terceiro de sua turma, voou em mais de 60 missões de combate na Coréia e finalmente se alistou na NASA onde, durante seis anos, preparou-se para o que seria a missão de sua vida: a conquista da Lua.

Em sua recente autobiografia, ‘Magnificent desolation: the long journey home from moon’, Aldrin explora o que sucedeu desde que em 24 de julho de 1969, quatro dias depois de terem sidos vistos por centenas de milhões de espectadores, a missão amerissou no oceano Pacífico, e que resume em três palavras: infidelidade, depressão e alcoolismo. Uma época obscura que não superou até 1978, segundo admite o próprio Aldrin nas páginas do livro, graças sobretudo à ajuda de Alcoólicos Anônimos, cujas reuniões segue participando quando sua agenda permite.

"Quando em 1972 deixei a NASA, eu desabei", confessa o ex-astronauta, que não voltou a encontrar o caminho até que decidiu converter-se em embaixador do programa espacial e aproveitar sua experiência para implicar a outros em desafios mais distantes. "Marte? Tardaremos ainda em vê-lo".

"Um pouco cansado" de responder sempre as mesmas perguntas e advertindo ao entrevistador que em 20 minutos não vai poder contar o que sentiu na superfície da Lua, Aldrin se dá um pequeno banho de modéstia quando conta por que foi um dos eleitos para entrar na historia da humanidade: "É muito simples: estava no lugar certo no momento certo. Nada mais".

Pergunta. Você acaba de publicar sua autobiografia, ‘Magnificent desolation’, na qual fala, entre outras muitas coisas, de seus problemas de alcoolismo. Foi duro voltar a recordar aquele tempo?
Resposta. Não foi duro em absoluto porque me serviu para renovar a amizade que tinha com algumas pessoas. Pessoas que me ajudaram muito em certos momentos em que tive a necessidade de receber essa ajuda. Também me serviu para reavaliar minha vida, as opções que tomei em cada momento e recordar todas as pessoas que quiseram me ajudar. Compartilhamos os bons e os maus momentos, e isso te ajuda a recuperar-se de qualquer coisa.

P. De maneira que não teve problemas em enfrentar-se a seus demônios...
R. Me enfrento a eles diariamente. Da mesma forma, recordar o que sou é algo que faço semanalmente no meu grupo de recuperação com outras pessoas. Juntos, compartilhamos esse sentimento de comunidade no qual fomos capazes de nos ajudar uns aos outros. Isso me ajudou a madurar e a pensar que, por muito tempo que passe, nunca serei imune a este tipo de problema.

P. Você tende a olhar para trás e recordar toda aquela época marcada pela chegada à Lua? Cumpriu as expectativas que gerou naquele momento?
R. Realmente, não olho para trás. Em absoluto. Creio que aprendi a não estabelecer expectativas sobre o que poderia passar ou não passar. Se esperas alcançar certas metas e estas não se cumprem, posso te assegurar que serás infeliz. Não recordo muito bem quais eram minhas expectativas de futuro naquele momento e o certo é que não meço meu êxito pelo que fiz, mas se fiz o que se esperava de mim. Nesse sentido, não estou descontente.

P. Qual seria a seu juízo o rumo que deveria tomar o programa espacial estadunidense?
R. A Lua necessita desenvolvimento, porém necessita ser explorada por outras pessoas, outros países que queiram desenvolver algum projeto levando sua própria equipe; se essa motivação não existe porque esses países, chamem-se China ou Índia, pensam: "Isto já foi feito ", todos deveríamos abandoná-la já e avançar. Ou seja, há algo na Lua que valha a pena explorar? Se há tesouros na Lua pelos quais valha a pena voltar, então definamos quais são exatamente esses tesouros antes de gastar um montão de dinheiro indo buscá-los.

P. Então, vocês deveriam buscar outros objetivos?
R. Claro. Há grandes logros por conseguir além da Lua, muito além. E isso é o que eu acredito que deveríamos fazer em lugar de gastar muito dinheiro em projetos inservíveis se não queremos acabar, como nação, comprando da Rússia o modo para chegar a nossa própria estação espacial porque gastamos enormes orçamentos em algo que ainda não está pronto. Por exemplo: estamos atrasados em pistas de aterrissagem convencionais há 28 anos e agora deixamos de estar porque o custo é demasiado alto com as naves modernas. Devemos escolher as opções necessárias para mudar tudo isso. É o que trato de mostrar aos que mandam. Eu sei que há muitíssima gente que não quer mudar e que minha tarefa é muito difícil e muito arriscada, porém não podemos permanecer calados por mais tempo.

P. O que mudou em sua visão de futuro a respeito da corrida espacial nos últimos 40 anos?
R. Quando chegamos à Lua, posso dizer que minha visão não era demasiada ampla, só me concentrava em saber o que havia que fazer e os problemas que podiam surgir. Agora, revisando tudo o que fizemos desde então, e como disse antes, creio que não estamos fazendo bem as coisas. A transição do ônibus espacial (shuttle) para a estação espacial está sendo mito mal feita e o tempo que estamos gastando é um tempo vital. Temos que consertar.

P. Você sempre defendeu que não acredita na existência de vida em outros planetas; alguns companheiros seus disseram o contrario. Continua mantendo a mesma postura?
R. Haverá vida em outros planetas quando formos a outros planetas. Então poderemos manter que há vida nesses planetas. Quando façamos isso, poderemos trabalhar sobre o terreno e descobrir muitas coisas sobre a origem da vida. Eu não acredito que ninguém esteja nos visitando, por mais bonito que seja pensar que algumas criaturas nos visitam ou nos visitaram no passado. Isso faz parte da ficção científica, da qual, por certo, eu escrevo relatos.

P. Você gosta de ficção científica?
R. Realmente, não. Ainda assim, creio que ‘2001: Uma odisséia no espaço’ foi certamente pioneira em sua maneira de formular perguntas e desafiar à platéia a descobrir suas próprias respostas. Obviamente, no mundo real não chegamos ao nível técnico do filme de Kubrick [sorri].

P. Você viu o filme depois de chegar à Lua?
R. Não, o certo é que o vi antes.

P. O que você opina dessa lenda urbana que afirma que vocês nunca chegaram a pisar na Lua?
R. Pois que me dá pena que haja tanta gente suscetível de ser manipulada e capaz de dar crédito a algumas das bobagens sensacionalistas de alguns meios que dizem ter informação interna; é algo delirante... [risos], porém isto é a humanidade e a maneira como a sociedade cresceu. É o autêntico anti-progresso.

P. O significado da alunissagem no Mar da Tranquilidade mudou muitíssimo ao longo dos anos...
R. Não estou certo de admirar como se ensina a historia nas escolas recentemente. Existe uma falta de respeito pelos esforços que foram feitos e o importante que foi tudo o que conseguimos em seu momento. Também acredito que há uma alteração da historia quando esta se conta aos jovens, de maneira que eles verão o futuro de forma diferente porque não sabem como e onde surgem os conflitos.

P. No que diferencia o astronauta de 40 anos atrás do atual?
R. O de quatro décadas atrás dava as boas vindas ao desafio de voar mais alto, mais rápido, mais longe... e era aceito como um pioneiro capaz de carregar a responsabilidade de uma importante missão. Creio que num futuro próximo tudo isso voltará a ser importante, porém a chave residirá na capacidade de sobreviver, a meio e longo prazo, em missões espaciais.

P. Como vai celebrar este aniversário?
R. O celebrarei quando acabem as celebrações... Celebrar é muito bonito se tens que escutar, porém para os que passaram 40 anos contando a mesma historia é uma coisa completamente diferente.

P. ‘Pixar’ lhe recompensou finalmente por usar seu nome para batizar a ‘Buzz Lightyear’ em ‘Toy story’?
R. Ninguém me deu nada. Nada de nada.

quinta-feira, julho 16, 2009

A viagem à Lua completa 40 anos

A viagem à Lua completa 40 anos

El País - 16/07/2009

Tradução de Antonio de Freitas Jr.

Às 14h:32s, (horário de Brasília) faz hoje 40 anos, partiu ao espaço um foguete Saturno V (o mais potente já construído). Foi lançado do Centro Kennedy (Flórida/EUA) e a bordo iam os astronautas Neil Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins. Chegaram à Lua quatro dias depois. Armstrong e Aldrin foram os dois primeiros ‘terráqueos’ a pisar outro corpo celeste.

segunda-feira, julho 13, 2009

O crepúsculo dos Kirchner


O crepúsculo dos Kirchner

Os argentinos temem que o governo não seja capaz de dirigir o país após perder as eleições legislativas

SOLEDAD GALLEGO-DÍAZ – El País - Buenos Aires - 13/07/2009

Tradução Antonio de Freitas Jr.

Se existe algo que os argentinos temem é a "desgobernación", uma palavra que traz a lembrança dos piores momentos de 2001, quando governos incapazes de fazer frente à crise abandonavam sua tarefa, sem cumprir seus mandatos. Essa palavra volta a ser protagonista, com uma diferença. Agora a oposição quer apoiar o governo de Cristina Fernández de Kirchner, debilitado pela perda das eleições legislativas de junho, para garantir que o mesmo chegará a 2011. A questão é que exige em troca que este limite seus poderes e reforme seu programa econômico. Em definitiva, que Néstor Kirchner perda protagonismo e deixe que um grupo de peronistas conciliadores controle o resto do mandato presidencial.

O resultado eleitoral aumentou a preocupação diante da possibilidade de que se precipite uma crise política num país que segue padecendo uma profunda crise social (40% da população em níveis de pobreza, segundo denunciou ontem a Igreja) e uma difícil situação econômica. No final de agosto o Congresso decidirá se anula ou não o decreto que concedeu "superpoderes" aos Kirchner e começará a discutir um novo orçamento, no qual a oposição, majoritariamente de direita, exige mudanças radicais.

"Os argentinos querem ver a seus dirigentes políticos sentados numa mesa falando", assegura Francisco de Narváez, peronista crítico e um dos ganhadores de junho. "O país está desgovernado, mas isso não quer dizer que o governo da presidenta esteja terminado. Deve terminar seu mandato. Porém tem que atuar de outra forma. Não se pode esperar por 2011 para levar a cabo um ajuste econômico sério".

No meio do chamado ao diálogo, surpreenderam as declarações do próprio Narváez assegurando que imagina a "Néstor Kirchner na prisão" por delitos de corrupção. Para uns, devia ser interpretado como uma advertência, para que Kirchner se retire do primeiro plano. Para outros, foram umas palavras imprudentes, que colocam a presidenta numa posição difícil, porque ninguém pode imaginá-la na Casa Rosada com seu marido condenado por delitos tão sérios. (Na Argentina os deputados podem ser julgados, mesmo possuindo imunidades, que só impedem que sejam realmente presos sem autorização do Congresso).

Poucos dias depois de que seu marido perdera as eleições, Cristina Fernández anunciou uma reforma ministerial que a oposição criticou duramente, porque dava mais poder ao grupo de leais kirchneristas. Porém, 48 horas depois, Cristina Fernández lançou outra mensagem: estava disposta a abrir um diálogo com as forças políticas, econômicas e sociais para garantir a governabilidade do país. A rápida reação presidencial pegou desprevenida a oposição, temerosa de que se trate de uma manobra.

"A questão agora é definir a agenda e seus protagonistas", mantêm Narváez. Supõe-se que participariam os presidentes dos partidos políticos representados no Congresso, porém isso deixaria fora da mesa o próprio Narváez, que não ocupa outro cargo que o de deputado. Igualmente importante é fixar a agenda de debate. O ministro do Interior, Florencio Randazzo, muito próximo a Néstor Kirchner, aludiu incluso ao que até agora foi um tabu: falar dos impostos de exportação agrícola, que constituíram o pior fracasso presidencial.

Os olhares se dirigem ao novo ministro da Economia, Amado Boudou, um economista de 45 anos, próximo da presidenta, a quem se atribui crédito de bom gestor. "Boudou é um homem inteligente e, se não quer ser suicida, terá que convencer o matrimonio presidencial de que é imprescindível tomar medidas fiscais imediatas", explica o deputado peronista Eduardo Amadeo.

Nada mais tomar posse, Boudou deu a entender qual era sua principal preocupação: "Meu primeiro objetivo é conseguir financiamento para o governo". Sua obsessão pelo financiamento não é nova: como responsável da Seguridade Social, foi o responsável da nacionalização dos fundos de pensões privados, o que se interpretou como uma forma de injetar dinheiro fresco no governo.

"O resultado das eleições de junho criou uma situação nova, no sentido de que distribuiu o poder", explica Diego Guelar, do PRO (partido do Prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri). Porém, ninguém obteve um resultado tão claro como para proclamar-se único vencedor. Os radicais, que chegaram quase a desaparecer em 2001, experimentaram uma recuperação notável, porém ainda devem decidir se terão um único candidato para 2011, ou seja, se Elisa Carrió (da ‘Coalición Cívica’) aceita entrar debaixo do guarda-chuva de Julio Cobos, vice-presidente da Nação, e da ‘Unión Cívica Radical’, ou se se opta por um terceiro candidato, por exemplo, o governador socialista de Santa Fé, Hermes Binner.

No peronismo, as coisas estão ainda menos claras. Ninguém, nem Narváez, nem Carlos Reutemann quer que o Partido Justicialista celebre agora eleições internas. Todos estão de acordo em que necessitam tempo para "armar" (palavra favorita dos chefes do justicialismo) uma nova candidatura. Falta por ver se Kirchner aceita uma redução de poderes e até que ponto a ameaça de uma "espantada" ou de uma crise política é um jogo ou uma possibilidade real no horizonte.

quinta-feira, junho 25, 2009

Falece Michael Jackson

Falece Michael Jackson

O artista, de 50 anos, sofreu uma parada cardiorrespiratoria em sua casa de Los Angeles. Os médicos ainda tentaram lhe reanimar em sua casa antes de trasladá-lo a um hospital

AGENCIAS - Madrid – El País - 26/06/2009

Tradução de Antonio de Freitas Jr.

O cantor Michael Jackson, de 50 anos, faleceu nesta quinta-feira após sofrer uma parada cardiorrespiratoria em sua casa de Los Angeles, segundo confirmaram vários meios locais. Uma chamada realizada às 12:26 minutos da tarde, hora californiana (16:26 no Brasil) alertou o serviço médico de urgência da necessidade de uma ambulância na casa do cantor.
Ao chegar ao domicilio, no luxuoso bairro de Bel Air de Los Angeles, a equipe médica tentou reanimar o cantor antes de seu traslado ao hospital. A estrela do pop chegou ao hospital universitário UCLA em estado de coma profundo e minutos depois os médicos confirmaram sua morte.

Jackson teve uma saúde delicada durante grande parte de sua vida com numerosos episódios nos quais necessitou de atenção médica, quatro deles durante o julgamento de 2005, quando lhe acusaram de abusar sexualmente de um menor. Em 1995 foi internado em um hospital de Nova York após desmaiar durante um ensaio num teatro. Ademais, passou várias vezes pelas mesas de cirurgia submetendo-se a operações plásticas, embora afirmasse que a aparência embranquecida de sua pele fosse causada pelo vitiligo, uma doença que causa despigmentação.

Contudo, sua morte pegou de surpresa a todos seus fãs, pois havia anunciado que pretendia relançar sua carreira com uma nova turnê que começaria no próximo dia 13 de julho em Londres. Cinquenta shows que se estenderiam até meados do próximo ano, cujas entradas já haviam sido vendidas em sua totalidade.

De menino prodígio a 'rei do pop'

Michael Jackson nasceu em 29 de agosto de 1958, em Gary, Indiana. Junto a quatro de seus irmãos -Jackie, Tito, Jermaine, Marlon e o próprio Michael- formaram o grupo ‘Jackson Five’. Sua primeira atuação teve lugar em uma feira quando Michael tinha apenas seis anos. Os irmãos Jackson ganharam o primeiro prêmio e começaram uma carreira de sucesso.

Em 1972, Jackson estreou carreira solo e em 1982 lançou seu disco ‘Thriller’, que passou a ser um sucesso de vendas. Várias de suas canções chegaram ao mais alto posto nas paradas de sucessos musicais dos EUA. O álbum vendeu 21 milhões de cópias somente nos Estados Unidos e mais de 27 milhões em todo o mundo.

Um ano depois, em 1983, Jackson ensinou ao mundo o ‘moonwalk’, seu passo de dança mais famoso, no qual desliza para trás com a ponta de seus pés, durante uma apresentação na cadeia estadunidense de televisão NBC.

Em 1994, Jackson casou-se com Lisa Marie Presley, a única filha do rei do rock, Elvis Presley, porém o matrimônio acabou em divorcio apenas dois anos depois. Neste mesmo ano, Michael voltou a casar, desta vez com Debbie Rowe, e teve dois filhos antes de separar-se em 1999. O casal nunca viveu junto.

O cantor deixa três filhos, Michael Joseph Jackson Jr., Paris Michael Katherine Jackson e Prince "Blanket" Michael Jackson II.

quarta-feira, junho 10, 2009

Venezuela proíbe a Coca-Cola Zero


Venezuela proíbe a Coca-Cola Zero

O ministério da Saúde ordena retirar o produto do mercado por considerá-lo "prejudicial para os humanos"

EFE - Caracas – El País - 11/06/2009

Tradução de Antonio de Freitas Jr.

O Ministério da Saúde venezuelano ordenou a retirada do mercado da bebida Coca-Cola Zero por considerar que contém "um componente que pode resultar prejudicial para os humanos", informou a Agência Bolivariana de Notícias (ABN).

O titular da pasta de Saúde, Jesús Mantilla, informou a realização de um "procedimento de inspeção" na empresa Coca-Cola, sob o qual se inclui a ordem de "retirada de todas as Coca-Colas Zero que se encontram nos estabelecimentos comerciais" do país.

"O produto deve sair de circulação para preservar a saúde dos venezuelanos", disse Mantilla, e acrescentou que a inspeção também prevê a solicitação oficial à multinacional para "evitar as próximas vendas do produto" na Venezuela. O ministro venezuelano não afirmou, contudo, qual ingrediente da bebida gasosa foi identificado como nocivo para a saúde dos humanos.

sábado, junho 06, 2009

Barack Obama comemora na Normandia o 65° aniversário do Dia D


Barack Obama comemora na Normandia o 65° aniversário do Dia D

O Presidente dos EUA se reúne com Nicolas Sarkozy para analisar a situação no Oriente Médio, Coréia do Norte e a crise econômica mundial

AGENCIAS - Colleville – El País - 06/06/2009

Tradução de Antonio de Freitas Jr.

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chegou hoje em Caen (Normandia) onde participou dos atos comemorativos do 65° aniversario do Dia D. Acompanhado de sua esposa, Michelle, Obama chegou a Caen, onde se reuniu com Sarkozy, a bordo de uma versão mais reduzida de seu avião ‘Air Force One’ tradicional, procedente de Paris.

Antes dos atos oficiais, os dois mandatários mantiveram uma reunião na qual abordaram assuntos como a situação no Oriente Médio, o desafio nuclear do Irã e da Coréia do Norte ou a crise econômica mundial. A respeito da situação em Israel, o Presidente estadunidense expressou seu desejo de que se estabeleçam conversações "sérias e construtivas" para lograr uma solução consensual entre Israel e Palestina. "Não espero que um problema de 60 anos se resolva da noite pro dia, porém, como disse antes, o que espero é que ambas as partes reconheçam que perdem o controle sobre seus destinos", afirmou o Presidente dos EUA, acompanhado do Chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy.

Barack Obama tampouco quis se esquecer da Coréia do Norte e voltou a tachar de "extremadamente provocativa" as últimas ações nucleares do governo de Pyongyang e não pode estar sujeita a "nenhuma recompensa". "Vamos olhar muito seriamente a forma pela qual estudaremos estas questões", declarou Obama aos jornalistas. "Não acredito que continuaremos a seguir por um caminho onde a Coréia do Norte segue desestabilizando a região enquanto nós reagimos como sempre", declarou Obama. "Temos pensado seguir com a política habitual de recompensar as provocações", afirmou. Com relação ao Irã, Obama advertiu que seria "extremadamente perigoso" que o governo de Teerã desenvolvesse uma arma nuclear.

A lembrança dos caídos

As conversas entre Obama e Sarkozy continuaram durante o almoço de trabalho, ao final do qual dirigiu-se até Colleville, onde se encontra o Memorial e Cemitério Americano, para participar das comemorações do Desembarque da Normandia nas praias denominadas Omaha, Utah, Juno, Gold e Sword, que marcou o começo da ofensiva aliada na Europa em 6 de junho de 1944.

"Vivemos num mundo onde as ideologias e as declarações sobre o que é verdade e o que não é competem. Neste mundo, é raro se encontrar com um enfrentamento que fale de algo tão universal como é a humanidade em si mesma. Esse enfrentamento foi a Segunda Guerra Mundial", assegurou Obama em seu discurso. "Então ninguém sabia, mas grande parte do progresso que definiu o século XX, em ambos os lados do Atlântico, começou numa batalha por um pedaço de praia de somente sete quilômetros de comprimento por três de largura", recordou. "Nenhum homem que haja derramado seu sangue ou haja perdido um irmão pode dizer que a guerra é boa, porém todos nós sabemos que essa guerra foi essencial", concluiu Obama cujo avô e o tio-avô participaram do desembarque.

Também participaram dos atos comemorativos o Príncipe Charles da Inglaterra, o Primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e do Canadá, Stephen Harper, representando os países que participaram do Dia D.

Obama, que na sexta-feira (05/06) visitou na Alemanha o campo de concentração de Buchenwald, tem um interesse pessoal em participar dos eventos de hoje.

terça-feira, junho 02, 2009

John, Paul, George e Ringo na sala de casa

John, Paul, George e Ringo na sala de casa

‘The Beatles Rockband’ protagoniza a primeira jornada da E3, a feira de videojogos mais importante do mundo

ELPAÍS.com - Madrid - 02/06/2009

Tradução de Antonio de Freitas Jr.

Quem melhor do que Sir Paul McCartney e Ringo Starr para apresentar o videojogo da mais legendaria banda pop de todos os tempos. Com ‘The Beatles Rockband’ será possível viajar a Hamburgo para tocar no ‘Kaiserkeller’ ou subir ao telhado e tocar ‘Get back’, justo antes que nos desaloje a polícia.

O videojogo dos ‘Fab Four’ foi apresentado hoje na E3,(Electronic Entertainment Expo) a feira de videojogos mais importante do mundo, que se celebra até quinta-feira (04/06) em Los Angeles. Junto a Paul e Ringo estiveram outras celebridades como Pete Sampras e Steven Spilberg apresentando as novidades da Microsoft.

"Nos encantou o jogo, é fantástico", disse McCartney, que esteve acompanhado no palco por Yoko Ono e Olivia Harrison. "Quem imaginou que acabaríamos como andróides?", perguntou o ex-Beatle. O filho de George Harrison, Dhani, que desempenhou um papel muito ativo no desenvolvimento e produção do videojogo, também esteve presente.

The Beatles Rockband, que sairá à luz em setembro, incluirá 45 canções remasterizadas do grupo, destacou Giles Martin, filho do produtor do grupo George Martin e produtor do videojogo.

O videojogo contará uma historia interativa e musical da banda, e percorrerá o repertorio de hits britânicos desde seu primeiro álbum ‘Please please me’ até o último produzido na gravadora EMI, ‘Abbey Road’.

Para se sentir mais identificado com os quatro de Liverpool é possível, ainda, adquirir réplicas dos instrumentos da banda para utilizar com o jogo: uma guitarra ‘Rickenbaker 325’, outra ‘Gretsch Duo’, um baixo ‘Höfner’ e um set de bateria ‘Ludwig’. A única coisa que fará falta será deixar uma franjinha.

quarta-feira, maio 27, 2009

Obama indica uma mulher hispânica para a Suprema Corte


Obama indica uma mulher hispânica para a Suprema Corte

Sonia Sotomayor, de 54 anos e de origem porto-riquenha, substituirá ao liberal David Souter

AGENCIAS - Nueva York – El País - 26/05/2009

Tradução de Antonio de Freitas Jr.

Sonia Sotomayor, magistrada da Corte de Apelações de Nova York, será a terceira mulher e o primeiro membro da comunidade hispânica a ocupar uma cadeira na Suprema Corte dos EUA. Sua indicação foi divulgada na tarde de terça-feira (26/05) pelo Presidente Barack Obama, mas ainda deverá ser ratificada pelo Senado. Sotomayor, de 54 anos, substituirá a David Souter, de 69 anos, que alegou razões de índole pessoal para deixar o órgão máximo da justiça estadunidense em junho próximo, quando os juízes do Supremo saem de férias até o outono, recomeçando seus trabalhos em outubro. A saída de David Souter não altera o atual equilíbrio liberal-conservador do alto tribunal, já que Sotomayor é da mesma tendência.

Filha de pais porto-riquenhos, Sonia Sotomayor cresceu em um conjunto habitacional no bairro nova-iorquino do Bronx. Destacou-se como estudante na Universidade de Princeton e mais tarde na Faculdade de Direito de Yale. Fã entusiasta da equipe de beisebol dos Yankees de Nova York, a magistrada está divorciada e não tem filhos.

A indicação de Sotomayor pode agradar a dois grupos chaves na eleição de Barack Obama para a Presidência dos EUA: as mulheres e os latinos. Sotomayor entrou para a magistratura em 1991, graças ao acordo do Presidente George H. W. Bush com os senadores do Estado de Nova York e ascendeu à Corte de Apelações em 1998, pela mão do Presidente Bill Clinton. Adquiriu notoriedade em 1995, durante o juízo que pôs fim a uma greve de um ano na liga de beisebol; Sotomayor proibiu o uso de jogadores substitutos por parte dos clubes da liga.

Esta foi a primeira oportunidade que se apresentou a Obama para nomear um juiz do Supremo. Os nove juízes deste alto tribunal, uma vez nomeados pelo presidente, contam com esse cargo por toda vida, ou seja, até quando decidam se aposentar, e dispõem de um imenso poder.

David Souterm, o magistrado que se aposenta, representou um exemplo de independência profissional. Foi nomeado por Bush pai em 1990, porém votou a favor do aborto e dos direitos dos homossexuais. E foi um dos quatro votos dissidentes na decisão de 2000 que deu a vitoria a Bush filho sobre Al Gore. Dos cinco membros da Suprema Corte, cinco são conservadores e quatro - incluída a recém nomeada Sotomayor -, liberais.

segunda-feira, maio 18, 2009

Falece o poeta Mario Benedetti aos 88 anos


Falece o poeta uruguaio Mario Benedetti aos 88 anos

O poeta encontrava-se hospitalizado em "estado delicado" desde o dia 24 de abril

IKER SEISDEDOS / EFE - Madrid – El País - 17/05/2009

Tradução de Antonio de Freitas Jr.

Mario Benedetti, poeta do amor e do exílio, morre em Montevidéu aos 88 anos. Após uma longa doença que tentou varias vezes levá-lo a este ‘best seller’ das letras uruguaias, dos sentimentos, a este popularizador da poesia em espanhol como quase nenhum outro. A morte, ou seja, essa doença pulmonar crônica de que padecia, o levou após sua quarta hospitalização em um ano no hospital Impasa, de Montevidéu.

Premiado em 1999 com o Prêmio “Reina Sofía de Poesía Iberoamericana” e em 2005 com o “Internacional Menéndez Pelayo”, Benedetti abordou todos os gêneros literários, nos quais deixou uma visão crítica de esquerda que lhe levaria ao exílio e a ser, até seus últimos dias, um firme detrator da política exterior dos Estados Unidos. Suas poesias foram cantadas por compositores como Joan Manuel Serrat, Daniel Viglietti, Nacha Guevara, Luis Pastor ou Pedro Guerra, e suas novelas mais famosas levadas ao cine, como ‘La tregua’ (1974) ou ‘Gracias por el fuego’ (1985), a cargo do diretor argentino Sergio Renán.

Este expoente por antonomásia da chamada geração uruguaia de 1945, a "generación crítica", nasceu em 14 de setembro de 1920 em ‘Paso de los Toros’, no Departamento de ‘Tacuarembo’. Em 1928 começou seus estudos primários no Colégio Alemão de Montevidéu’, onde, segundo contava o próprio Benedetti, gostava de escrever em verso as lições e incluso surpreendeu a seus mestres com um primeiro poema em alemão.

As dificuldades econômicas só lhe permitiram cursar um ano de educação secundaria no ‘Liceo Miranda’ e depois teve que ser quase autodidata, compaginando os estudos com o trabalho, que começou aos 14 anos numa oficina de consertos de automóveis. Antes de se dedicar a escrever, Benedett trabalhou de taquígrafo, caixa, vendedor, livreiro, jornalista, tradutor, funcionário público e comerciante. Todos estes ofícios representaram um contato com a realidade social do Uruguai que foi determinante na hora de modelar seu estilo e a essência de sua escritura.

Entre 1938 e 1941 residiu em Buenos Aires e em 1945 ingressou no semanário ‘Marcha’ como redator e publicou seu primeiro livro, ‘La víspera indeleble’, de poesia. Em 1949 Benedetti avançou na sua carreira jornalística com seu trabalho na destacada revista literária ‘Número’, compaginando ao mesmo tempo suas tarefas de crítico com uma carreira imparável como escritor. Assim, em uma década trepidante publicou obras como ‘Esta mañana y otros cuentos’ (1949), ‘Poemas de oficina’ (1956), ‘Ida y vuelta’ (1958) e ‘La tregua’ (1960).

Desde 1952 começou a implicar-se de forma destacada nos protestos contra o tratado militar entre Uruguai e os Estados Unidos. Sua primeira viagem a Europa foi em 1957, como correspondente dos jornais ‘Marcha’ e ‘El Diario’. De 1961 data do livro ‘Mejor es meneallo’, que agrupa suas crônicas humorísticas, firmadas com o pseudónimo de ‘Damocles’. Residiu em Paris entre 1966 e 1967, onde trabalhou como tradutor e locutor para a Radio e Televisão Francesa, e logo de taquígrafo e tradutor para a UNESCO.

Em 1968 fundou na cidade cubana de ‘La Habana’ o ‘Centro de Investigaciones Literarias de la Casa de las Américas’, que dirigiu até 1971, e encabeçou o ‘Departamento de Literatura Latinoamericana de la Facultad de Humanidades y Ciencias de la Universidad de Montevideo’, entre 1971 e 1973. Nos anos 70 desenvolveu uma intensa atividade política, como dirigente do ‘Movimiento 26 de Marzo’, do qual foi co-fundador em 1971 e que represento na ‘Frente Amplio’, coalizão de esquerda que alcançou o poder em 2005.

PARÉNTESIS
Mario Benedetti, Montevideo 2008

Acompáñenme a entrar en el paréntesis
que alguien abrió cuando parió mi madre
y permanece aún en los otroras
y en los ahoras y en los puede ser
lo llaman vida si no tiene herrumbre
yo manejo el deseo con mis riendas
mientras trato de construir un río
en sus nubes los pájaros se esconden
no es posible viajar bajo sus alas
lo mejor es abrir el corazón
y llenar el paréntesis con sueños
los pájaros escapan como amores
y como amores vuelven a encontrarnos
son sencillos como las soledades
y repetidos como los insomnios
busco mis cómplices en la frontera
que media entre tu piel y mi pellejo
me oriento hacia el amor sin heroísmo
sin esperanzas pero con memoria
por ahora el paréntesis prosigue
abierto y taciturno como un túnel

CERRAR LOS OJOS
Mario Benedetti, Montevideo 2008

Cerremos estos ojos para entrar al misterio
el que acude con gozos y desdichas
así / en esta noche provocada
crearemos por fin nuestras propias estrellas
y nuestra hermosa colección de sueños
el pobre mundo seguirá rodando
lejos de nuestros párpados caídos
habrá hurtos abusos fechorías
o sea el espantoso ritmo de las cosas
allá en la calle seguirán los mismos
escaparates de las tentaciones
ah pero nuestros ojos tapados piensan sienten
lo que no pensaron ni sintieron antes
si pasado mañana los abrimos
el corazón acaso de encabrite
así hasta que los párpados
se nos caigan de nuevo
y volvamos al pacto de lo oscuro

PRESAGIOS
Mario Benedetti, Montevideo 2008

Los presagios nos cercan / nos oprimen
pueden llegar con vivas o con lágrimas
son quizá las propuestas del futuro
que acuden con su estilo mesurado
en la vejez / que nos agarra exhaustos
se le meten a uno entre las canas
y al recibirlos con melancolía
les hacemos un sitio en la memoria
los presagios inspiran desconfianza
mueven sus pétalos agonizantes
y van de a poco fabricando olvidos
heridas del amor con cicatrices
presagios son augurios / vaticinios
se entienden con el alma y con la lluvia
y suelen trabajar sobre seguro
no hay presagio más fiable que la muerte


Palavras de Mario Benedetti

«Te dejo con tu vida, tu trabajo, tu gente, con tus puestas de sol y tus amaneceres. Sembrando tu confianza, te dejo junto al mundo, derrotando imposibles, segura sin seguro (...)
Pero tampoco creas a pie juntillas todo. No creas, nunca creas, este falso abandono. Estaré donde menos lo esperes. Por ejemplo, en un árbol añoso de oscuros cabeceos. Estaré en un lejano horizonte sin horas, en la huella del tacto, en tu sombra y mi sombra (...)».
Despedida de Mario Benedetti em 'Chau número tres'.

LA INFANCIA

«La infancia es un privilegio de la vejez. No sé por qué la recuerdo actualmente con más claridad que nunca». «Es a veces un paraíso perdido, pero otras, es un infierno de mierda».

EL APRENDIZAJE

«Mi primer trabajo fue en una empresa de repuestos de automóviles, luego 15 años en una inmobiliaria y después, al periódico —el primero puesto que ocupó fue el redactor del semanario 'Marcha'—; y al tiempo, taquígrafo, porque con un solo empleo no se podía sobrevivir». «He trabajado ocho y diez horas diarias en cosas que no tenían nada que ver con la literatura, empecé a ganarme la vida con ella en el exilio».

EL AMOR

«Yo siempre digo que soy fiel, pero no fanático en el amor».

«Si el corazón se aburre de querer, para qué sirve».

«Porque eres mía, porque no eres mía, porque te miro y muero, y peor que muero si no te miro amor, si no te miro (...)».
Versos de 'Corazón coraza'.

«Mi táctica es mirarte, aprender como sos, quererte como sos. Mi táctica es hablarte y escucharte, construir con palabras un puente indestructible. Mi táctica es quedarme en tu recuerdo. No sé cómo ni sé con qué pretexto, pero quedarme en vos. Mi táctica es ser franco y saber que sos franca y que no nos vendamos simulacros, para que entre los dos no haya telón ni abismos. Mi estrategia es en cambio más profunda y más simple. Mi estrategia es que un día cualquiera no sé cómo ni sé con qué pretexto por fin me necesites», 'Táctica y Estrategia'.

LA POLÍTICA

«Nunca fui comunista, nunca milité en partidos. Estuve algún tiempo en el Frente Amplio, pero como independiente. No sirvo para dirigente. Para un intelectual es muy duro. Me encontré hablando ante 60.000 personas haciendo planteamientos en los que no creía. Me dejaba un malestar de conciencia espantoso. Creo que puedo hacer más políticamente con lo que escribo que desde una tribuna».

EL EXILIO

«Me echaban y me amenazaban de muerte. De Uruguay tuve que irme porque estaban a punto de meterme preso y torturarme. De Buenos Aires, porque una asociación profascista me puso en una lista de condenados a muerte y me dieron 48 horas para que me fuera. Me marché a Perú y me metieron preso sin que yo hubiera hecho absolutamente nada político. Me deportaron a Argentina, donde estaba amenazado de muerte. Me ofrecieron asilo en Cuba, donde dirigí un departamento de literatura en La Casa de las Américas —por primera vez me gané la vida literariamente—. Y de La Habana, a Madrid».

LA POESÍA

«La poesía es el género en el que un escritor interviene más con su propia vida. Los otros géneros son de ficción, la poesía no».

«Un poema lo puedo escribir en un avión, en un fin de semana o mientras espero al destino».

«Mis maestros fueron Vallejo, Neruda, Pessoa y Borges, a quien se le admira por sus cuentos pero se le quiere más por sus poemas, porque se muestra como era, un ser desvalido y frágil».

EL OLVIDO

«El olvido está lleno de memoria —es el título de uno de sus libros—. Está lleno de memoria y esa memoria vuelve a salir».

EL 'DESEXILIO'

«El exilio es el aprendizaje de la vergüenza. El desexilio, una provincia de la melancolía».

Benedetti conseguiu regressar ao Uruguai em 1985. «El país había cambiado después de diez años de dictadura, pero yo también, después de 12 años domiciliado en cuatro países tan distintos. De los gobiernos no se aprende nada, pero de la gente de la calle yo aprendí mucho y entonces volví diferente, más maduro, otra persona, aunque siempre con el arraigo de mi ciudad».

LA RELIGIÓN

«Debo ser una de las personas menos religiosas del mundo. La única religión válida para mí es la conciencia; y la poesía tiene mucha vinculación con la conciencia».

«Yo no sé si Dios existe, pero si existe sé que no le va a molestar mi duda».

LA UTOPÍA

«La utopía es una cosa que debemos mantener. Por definición es algo que nunca se realiza por completo, una cosa que parece imposible y después resulta que se realiza. Siempre digo que los tres grandes utópicos que ha dado este mundo son Jesús, Freud y Marx. Gracias a ellos la humanidad ha dado pasos positivos».

«Aunque de cada utopía se realice un 10%, gracias a ese 10% la humanidad ha mejorado un poco. Yo soy un optimista incorregible».

LA CONCIENCIA

«Las causas en las que he creído y creo han sido derrotadas, pero yo no me siento derrotado en cuanto a mis creencias, en cuanto a mis posiciones ideológicas y seguiré luchando por ellas. Sin éxito, eso sí. Mientras pueda dormir tranquilo, no me consideraré un derrotado total».

EL SOCIALISMO

«Con todos sus defectos, la utopía socialista es la que puede traer bienestar a la Humanidad. Pese al fracaso del socialismo democrático de los países del Este, porque no fueron fieles y desvirtuaron la esencia, yo no me he borrado de las ideologías».

EL TIEMPO

«Cinco minutos bastan para soñar toda una vida, así de relativo es el tiempo».

«Preciso tiempo, necesito ese tiempo que otros dejan abandonado porque les sobra o ya no saben qué hacer con él. Tiempo en blanco, en rojo, en verde, hasta en castaño oscuro. No me importa el color. Cándido tiempo que yo no puedo abrir y cerrar como una puerta», versos del poema 'Tiempo sin tiempo'.

LA MUERTE

«Es tarde. Sin embargo yo daría todos los juramentos y las lluvias, las paredes con insultos y mimos, las ventanas de invierno, el mar a veces, por no tener tu corazón en mí, tu corazón inevitable y doloroso en mí que estoy enteramente solo, sobreviviéndote». Versos de 'Ausencia de Dios'.

«Hay que vivir como si fuéramos inmortales».

«Cuando me entierren, por favor, que no se olviden de mi bolígrafo», sentenciou em 'El Rincon de Haikus'.

quarta-feira, maio 13, 2009

Lula ganha o prêmio da Paz da Unesco

Lula ganha o prêmio da Paz da Unesco

A organização da ONU quis recompensar o trabalho do Presidente do Brasil "em prol da paz, o diálogo, a democracia, a justiça social e a igualdade de direitos"

EFE - París – El País - 13/05/2009

Tradução de Antonio de Freitas Jr.

O Presidente do Brasil, Lula da Silva, foi escolhido nesta quarta-feira o ganhador do Premio de Fomento da Paz Félix Houphouet-Boigny, segundo informou a Unesco em comunicado.

O ato solene de entrega terá lugar no próximo mês de junho, afirmou a organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura, sem precisar a data exata. Com este prêmio quiseram recompensar, explica o texto, o trabalho do Presidente do Brasil "em prol da paz, o diálogo, a democracia, a justiça social e a igualdade de direitos".

Os jurados quiseram celebrar, igualmente, a "inestimável contribuição" de Lula para a erradicação da pobreza e a proteção dos direitos das minorias.

A decisão dos jurados desta distinção criada em 1989 foi anunciada pelo ex-presidente português Mario Soares.

O último premiado com este prêmio pela Paz da Unesco foi, em 2008, o ex-presidente da Finlândia e fundador da organização não governamental “Crisis Management Initiative”, Martti Ahtisaari, poucos meses antes de receber o Prêmio Nobel da Paz.

Entre os políticos que o receberam anteriormente figuram Nelson Mandela e Frederik W. De Klerk; Yitzhak Rabin, Shimon Peres e Yasser Arafat; o Rei da Espanha, Juan Carlos I e o ex-presidente estadunidense Jimmy Carter.

segunda-feira, maio 11, 2009

As chuvas no Brasil desalojam 180.000 pessoas


180.000 pessoas desalojadas no Brasil pelas chuvas

As trombas de água deixam 44 mortos em municípios do norte e nordeste do país
EFE - Brasília - 11/05/2009

Tradução de Antonio de Freitas Jr.

Umas 180.000 pessoas foram desalojadas e 44 morreram nas cidades mais afetadas pelas fortes chuvas que castigaram regiões do norte e nordeste do Brasil, segundo o último informe da Defesa Civil.

Aviões da Força Aérea distribuíram sete toneladas e meia de alimentos e oito toneladas de medicamentos, roupas e colchões no Estado do Maranhão, onde as trombas de água e os deslizamentos de terra causados pelas chuvas provocaram mais estragos.

A cidade de Trizidela do Vale, de uns 180.000 habitantes, está inundada noventa por cento pelo transbordamento do rio Mearim, seis metros acima de seu nível normal. Umas 9.000 pessoas se viram expulsas de suas casas. Noutras cidades do Maranhão a polícia se mobilizou para evitar saques nas casas abandonadas.

As chuvas açoitaram com força os Estados do Ceará, Maranhão, Amazonas, Bahia, Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Santa Catarina, Piauí, Rio Grande do Norte e Pará.

Segundo fontes oficiais, as perdas econômicas causadas pelas precipitações, que em algumas regiões do país são as maiores que se registraram desde meados da década de 50, são superiores a um bilhão de reais (mais de 356 milhões de euros).

sexta-feira, maio 08, 2009

Achada uma mensagem em uma garrafa enterrada em Auschwitz


Achada uma mensagem em uma garrafa enterrada em Auschwitz

O texto, escrito em setembro de 1944, guarda nomes e lugares de nascimento de sete jovens poloneses e franceses

ELPAÍS.com - Madrid - 28/04/2009

Tradução de Antonio de Freitas Jr.

Umas obras próximas ao campo nazista de extermínio de Auschwitz-Birkenau (Polônia) possibilitou o achado de uma mensagem manuscrita oculta em uma garrafa, segundo informa a BBC.

O texto está escrito a lápis e datado de 9 de setembro de 1944 e contêm os nomes, números do campo e lugares de nascimento de sete jovens internos da Polônia e Francia, dos quais ao menos dois, sobreviveram, afirmam fontes do museu de Auschwitz à cadeia jornalista britânica.

A garrafa se achava oculta no muro de concreto de uma escola que os prisioneiros foram obrigados a reforçar. Os edifícios da escola, a poucos centos de metros do campo, foram utilizados pelos nazistas como armazéns.

Um porta-voz do museu assegura que os autores da nota eram "jovens que tentaram deixar algum rastro de sua existência para o futuro". Só em Auschwitz os nazistas mataram a 1,1 milhões de seres humanos, a maioria judeus e ciganos.

sexta-feira, maio 01, 2009

A vida de Audrey Hepburn, encarnação da elegância, regressa em documentário


A vida de Audrey Hepburn, encarnação da elegância, regressa em documentário

'A historia completa não autorizada' repassa a vida da atriz belga que personificou o glamour

OTR/Press - Madrid – El País - 01/05/2009

Tradução de Antonio de Freitas Jr.

O documentário ‘A historia completa não autorizada’ mostra a trajetória pessoal e profissional da atriz Audrey Hepburn, que encarnou magistralmente a essência da mulher elegante e bela. Ganhadora de um Oscar por sua interpretação em ‘A princesa e o plebeu’, junto a Gregory Peck, a atriz encarnou outros papeis inesquecíveis em filmes como Sabrina, My fair lady ou Bonequinha de luxo.

Em ‘A historia completa não autorizada’, que estreia no canal digital BIO na próxima segunda-feira, na Espanha, exibe-se a trajetória de Hepburn, que apesar de sua imagem escondida nos grandes óculos de sol e vestida por Givenchy, ocultava as privações que teve que suportar durante sua infância e juventude na Holanda. Após a separação de seus pais, mudou-se para Londres onde estudou dança e arte dramática e participou de vários filmes até que o diretor de cinema William Wyler lhe ofereceu seu primeiro papel em Hollywood.

A encarnação da elegância

Com ‘A princesa e o plebeu’ ganhou o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Atriz em 1954 e a partir de então seu rosto angelical passou a ser protagonista de filmes clássicos da época como ‘Um caminho para dois’ ou ‘Charada’. Sua interpretação de Holly Golightly em ‘Bonequinha de luxo’ a elevou à categoria de mito do cinema americano ao ponto de que, em meados dos anos cinquenta, havia se convertido numa das maiores estrelas de Hollywood e seu estilo, elegante e pessoal, marcava tendência nas ruas.

Porém, apesar do sucesso, a vida da frágil Hepburn foi mais reservada e humilde que a maioria das grandes figuras do cinema de seu tempo. Seus dois matrimônios, o primeiro com Mel Ferrer e o segundo com Andrea Dotti, fracassaram e a atriz refugiou-se cuidando de seu filho Sean, que atualmente administra a fundação que leva seu nome, e em trabalhos humanitários.

Em 1988, foi nomeada Embaixadora da Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), e até sua morte em 1993 dedicou todos seus esforços a combater a aids e a desnutrição das crianças nos países do terceiro mundo.

quinta-feira, abril 23, 2009

O talento do leitor


O talento do leitor

ENRIQUE VILA-MATAS – El País - 23/04/2009

Tradução de Antonio de Freitas Jr.

Quando despertaram do sonho das hipotecas e daquele poderio econômico que haviam acreditado ser eterno, quando despertaram em pleno centro do redemoinho que arrasava tudo, o livro seguia aí. Era assombroso, nada nem ninguém havia conseguido alterá-lo, ninguém o havia movido do lugar de sempre. Olharam incrédulos, parecia mentira. Ali estava, totalmente imperturbável. Anos de barbárie não haviam podido com ele e agora, a princípios daquele século que havia começado com a grande tempestade, o livro estava ali para recordar-lhes ou simplesmente informar-lhes, se ainda não sabiam, que a literatura fala uma linguagem distinta, não opressora, muito diferente do resto das linguagens perversas que nos escravizam com suas tiranias cotidianas: a linguagem econômica, política, religiosa, familiar, televisiva.

Tudo isto não ocorreu em outro tempo, mas está sucedendo agora mesmo, 23 de abril de 2009. Parece como se o Prêmio Cervantes que se entrega a Juan Marsé tivesse aberto horizontes e todos agora regressássemos ao velho costume do bom livro e a lembrar que esse grande livro sempre esteve aí e é a distração por excelência, porque nos permite a ilusão de um domínio do tempo, além das catástrofes e crises. Essa ilusão nos afasta do porvir implacável que conduz a essa morte que se esconde nos relógios numa novela de Laurence Sterne. Herdeiro legítimo de Cervantes, Sterne renovou a relação do escritor com o leitor, essa relação que ultimamente parece regressar a um primeiro plano, pois existe a impressão de que algo começa a se mover. Em pleno sonho das hipotecas e do bezerro de ouro da novela gótica, se forjou a estúpida lenda do leitor passivo. A derrota do monstro está abrindo passo à reaparição do leitor com talento e se propõem os novos termos do contrato moral entre autor e público. Respiram de novo os escritores que se matam por um leitor ativo, por um leitor aberto o suficientemente como para permitir na sua mente o desenho de uma consciência radicalmente diferente da sua própria.

Se se exige talento a um escritor, deve se exigir também ao leitor. Porque não há que se enganar: a viagem da leitura passa muitas vezes por terrenos difíceis que exigem tolerância, espírito livre, capacidade de emoção inteligente, desejos de compreender o outro e de se acercar a uma linguagem distinta à de nossas tiranias cotidianas. Como diz Vilém Vok, não é tão simples sentir o mundo como sentiu Kafka, um mundo no qual se nega o movimento e resulta impossível sequer ir de um povoado a outro. As mesmas habilidades que se necessitam para escrever se necessitam para ler. Os escritores falham aos leitores, porém também ocorre o contrário e os leitores falham aos escritores quando só buscam nestes a confirmação de que o mundo é como eles o veem. Os novos tempos trazem essa revisão e renovação do pacto exigente entre escritores e leitores. Volta o leitor com talento. E hoje, ademais, premiam a Juan Marsé. Surpreendente felicidade dupla num mundo sem alegrias.

* 23 de abril é o Dia do Livro, em lembrança do aniversário de morte de Cervantes e Shakespeare. E, também, é dia de Sant Jordi, em Barcelona.

segunda-feira, abril 13, 2009

Obama ordena a suspensão das restrições a viagens e remessas para Cuba


Obama ordena a suspensão das restrições a viagens e remessas para Cuba

O presidente dos EUA busca aproximação a La Habana, após um embargo que já dura mais de quatro décadas - Washington quer sentar as bases para que haja "mudanças democráticas" na ilha

EFE / ELPAÍS.com - Washington - 13/04/2009

Tradução de Antonio de Freitas Jr.

Na mudança mais significativa dos Estados Unidos com Cuba, o presidente Barack Obama decidiu hoje suspender as restrições às viagens de familiares e remessas de dinheiro à ilha, segundo um alto funcionário do governo. Fontes da Casa Branca já haviam adiantado que se anunciariam as medidas antes da Cumbre das Américas que começa na sexta-feira (17/04) em Trinidad y Tobago.

Obama deu ordens ao Departamento de Estado, do Tesouro e do Comércio para que se ponha em marcha o antes possível a suspensão destas restrições, que inclui medidas para facilitar as comunicações com a ilha e um chamamento ao governo castrista para que não interfira nos envios.

Esta medida afetará a mais de um milhão e meio de exilados que durante o governo de George W. Bush viram endurecer os requisitos para enviar dinheiro e viajar à ilha para visitar a seus familiares.

''Este é um esforço para chegar aos cubanos, é um esforço para respaldar o desejo dos cubanos de decidir livremente o futuro de seu país", disse um alto cargo em Washington ao jornal “The Miami Herald”. "O presidente disse que este é o meio mais direto para abrir o tipo de espaço que é necessário para ver mudanças democráticas em Cuba".

A partir de agora, as pessoas que desejem poderão enviar Pinheiro e pacotes de ajuda humanitária a ilha, e se suspende a proibição de enviar mercadorias como sementes para as plantações ou material para a pesca. Os envios poderão se dirigidos a qualquer cidadão da ilha, com exceção de funcionários do regime, que não poderão beneficiar-se destas medidas. Assim mesmo, as visitas carecerão de limite temporal ou de frequência, segundo explicou o alto funcionário.

Um terceiro aspecto da iniciativa prevê aumentar as comunicações com a ilha, assim como as negociações para buscar e pôr em marcha serviços desta índole em Cuba. Assim, por exemplo, as pessoas que desejem poderão pagar do o exterior os telefones celulares de residentes cubanos.

A suspensão das restrições se combina com um "chamamento claro" do governo de Obama para que o regime cubano deixe de interferir nos envios e na vida de seus cidadãos, agregou o funcionário.

sábado, abril 04, 2009

A placa Wilkins perde a ponte de gelo que a unia à Antártida


A placa Wilkins perde a ponte de gelo que a unia à Antártida

A ruptura da última ligação que a mantinha presa a terra firme acelerará sua desintegração.

REUTERS / ELPAÍS.com - Oslo / Madrid - 05/04/2009

Tradução de Antonio de Freitas Jr.

A placa de gelo Wilkins perdeu a última ligação que a unia à península antártica. A ponte de gelo que a mantinha presa a terra firme - a placa flutua sobre o oceano - se rompeu este sábado, informaram os cientistas que vigiam a zona desde que detectaram os primeiros efeitos do aquecimento global. A ruptura desta ponte significa que a Wilkins ficou à deriva e que sua desintegração é iminente.

"É incrível como se rompeu esta porção de gelo. Há dois dias, estava intacta", assegurou David Vaughan, do Centro Britânico de Pesquisa Antártica, à agência Reuters após observar uma imagem da placa tomada pelo radar do satélite europeu Envisat.

A ruptura da ponte liberou um conjunto de icebergs. A perda desta porção gelada, que media quase 100 quilômetros de largura em 1950, vai provocar que as correntes oceânicas acelerem a desintegração da Wilkins, que estava unida às ilhas Charcot e Latady e que começou a sofrer um extraordinário retrocesso na década dos noventa.

A placa Wilkins havia sido estável durante o século passado. Os cientistas pesquisam agora quais processos estão intervindo nas fraturas de placas geladas na zona, assegura a Agência Espacial Europeia (ESA), que recorda que nos últimos 50 anos a temperatura media subiu 2,5 graus centígrados. Outras nove placas se romperam ou retrocederam na Antártida no último meio século, como a Larsen A em 1995 ou a Larsen B em 2002, modificando bruscamente os mapas do continente gelado.